Mesmo com a colheita praticamente concluída em Mato Grosso e os preços internacionais da soja em queda, o mercado brasileiro vive um momento de valorização surpreendente. Segundo boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) — divulgado na segunda-feira (31) —, os prêmios de exportação registraram fortes altas na última semana, impulsionados por uma maior procura do grão nacional, especialmente por parte da China.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, os prêmios subiram 371,05% no porto de Santos e 306,76% em Paranaguá, atingindo os maiores patamares registrados desde o início de 2024.
Os prêmios de exportação refletem um valor adicional pago ao produtor ou à comercializadora sobre o preço internacional da soja, e variam conforme a procura por embarques nos portos brasileiros. Quando há maior demanda — como neste caso, com a China optando por soja brasileira em vez da norte-americana — os prêmios sobem, tornando o produto nacional mais valorizado.
Segundo o IMEA, essa alta se deve à menor procura por soja dos Estados Unidos, o que abriu espaço para o produto brasileiro ganhar competitividade no mercado global. Como destaca o boletim: “Essa valorização nos prêmios é devido à maior procura por soja nos portos, principalmente pela China, que aumentou os conflitos comerciais com os Estados Unidos, beneficiando o Brasil.”
Colheita quase concluída em MT
Até sexta-feira (28), Mato Grosso havia colhido 99,92% dos 12,66 milhões de hectares plantados na safra 2024/25. O avanço semanal foi de 0,44 ponto percentual, mantendo o estado à frente da média dos últimos cinco anos. Apenas municípios do Vale do Guaporé ainda não finalizaram os trabalhos de campo.
Com a colheita praticamente encerrada, a produção deve atingir 49,62 milhões de toneladas, o que pode representar a maior safra da história do estado, segundo o IMEA.
Exportação ganha força com dólar e prêmios
A paridade de exportação para março/26 fechou a semana em R$ 118,51 por saca, uma alta de 3,21% frente à semana anterior. O avanço do dólar (+0,83%) também ajudou a sustentar os preços, compensando parcialmente a queda nas cotações internacionais.
Apesar do recuo de 4,86% no diferencial de base MT/CME (devido à baixa em Chicago), o cenário geral é positivo para o produtor que mira o mercado externo. Os prêmios elevados e a demanda internacional aquecida, especialmente da China, colocam o Brasil — e Mato Grosso — em posição estratégica na exportação da oleaginosa.
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